“...o melhor do mundo são as crianças...” - Fernando Pessoa
A ideia da infância, com a especificidade e com os direitos que lhe vamos (re)conhecendo, é uma “invenção” recente. A criança, anteriormente vista como um “adulto em miniatura”, começa a ter um olhar próprio. E assim, expressões como desenvolvimento infantil e desenvolvimento integral da criança tornam-se cada vez mais preocupações centrais da família e da comunidade.
Com as suas necessidades e potencialidades específicas, a criança não pode, no entanto, ser percebida sem ser em interacção com o seu meio, que se resume nos primeiros anos de vida à família. É a relação com o outro (mãe, pai, cuidador) e a qualidade desta relação que lhe vai permitir (ou não) ter a confiança, segurança e respeito por si própria e pelos outros imprescindíveis para a exploração do meio e o desenvolvimento da sua autonomia. E que, mais tarde, serão em grande parte responsáveis pelo ajustamento, bem-estar e integração na sociedade enquanto adolescente e adulto.
Assim, o equilíbrio na infância parece “adivinhar-se” com frequência pelo equilíbrio da família e bem–estar (ou mau-estar) da família.
Numa sociedade cheia de ritmo, em que em prol da organização, controlo e multiplicidade de estímulos escasseia o tempo para reflectir, interagir e sentir, podem surgir dificuldades no desempenhar destas cruciais tarefas. Manifestações mais ou menos subtis de cansaço, “desespero” e (pesados) sentimentos de culpa são possíveis no processo de educação dos filhos. Frases como “eu devia passar mais tempo com os meus filhos” parecem-nos já banais pela frequência com que são emitidas.
Afigura-se assim imprescindível que o apoio à criança seja também o apoio à família.
Melanie Dinis
(psicóloga clínica)
A ideia da infância, com a especificidade e com os direitos que lhe vamos (re)conhecendo, é uma “invenção” recente. A criança, anteriormente vista como um “adulto em miniatura”, começa a ter um olhar próprio. E assim, expressões como desenvolvimento infantil e desenvolvimento integral da criança tornam-se cada vez mais preocupações centrais da família e da comunidade.
Com as suas necessidades e potencialidades específicas, a criança não pode, no entanto, ser percebida sem ser em interacção com o seu meio, que se resume nos primeiros anos de vida à família. É a relação com o outro (mãe, pai, cuidador) e a qualidade desta relação que lhe vai permitir (ou não) ter a confiança, segurança e respeito por si própria e pelos outros imprescindíveis para a exploração do meio e o desenvolvimento da sua autonomia. E que, mais tarde, serão em grande parte responsáveis pelo ajustamento, bem-estar e integração na sociedade enquanto adolescente e adulto.
Assim, o equilíbrio na infância parece “adivinhar-se” com frequência pelo equilíbrio da família e bem–estar (ou mau-estar) da família.
Numa sociedade cheia de ritmo, em que em prol da organização, controlo e multiplicidade de estímulos escasseia o tempo para reflectir, interagir e sentir, podem surgir dificuldades no desempenhar destas cruciais tarefas. Manifestações mais ou menos subtis de cansaço, “desespero” e (pesados) sentimentos de culpa são possíveis no processo de educação dos filhos. Frases como “eu devia passar mais tempo com os meus filhos” parecem-nos já banais pela frequência com que são emitidas.
Afigura-se assim imprescindível que o apoio à criança seja também o apoio à família.
Melanie Dinis
(psicóloga clínica)